31.12.08

O meu revéillon



O melhor ano é aquele que ainda não foi vivido
UM GRANDE ANO (MAIOR DO QUE A SOMA DOS SEUS DIAS)

20.12.08


São folhas de Inverno, estas. Deixaram partir, não há muito, os derradeiros frutos. Ousemos olhar assim este Natal: com as cores da vida, que anunciam luz, com as cores de um grito, que anuncia esperança; com as cores que rompem o silêncio adormecido do Inverno.

Para todos os que aqui vierem, votos de um Natal com a intensidade das coisas vivas e de um ano de 2009 com a força de todas as raízes.

Um abraço

7.12.08

As coisas simples


Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos.
O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos,
não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário,
ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar;
ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
Nuno Júdice

5.12.08




Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos


Mário Cesariny

2.12.08

Do Poeta ao Poema


Palavras? Sim.

De ar e perdidas no ar.

Deixa que eu me perca entre palavras,

deixa que eu seja o ar entre esses lábios,

um sopro erra

mundo sem contornos,

breve aroma que no ar se desvanece.

Também a luz em si mesma se perde.
Octávio Paz


29.11.08

InCêndio que nos afoga


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte:
fingir que está tudo bem:
ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

JLP

22.11.08

Poema de uma tarde só


Não tenhas medo do amor.
Pousa a tua mão devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a crescer:
o linho e genciana;
as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis;
a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo.
A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes:
pousa a tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros:
explode no teu coração um amor-perfeito,
será doce o seu
pólen na corola de um beijo,
não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.
(Maria do Rosário Pedreira)

20.11.08


Os abraços... Ah! Como faltam os abraços, aqueles prolongados, inteiros, coração com coração, palpitações se misturando numa entrega de sentimentos, desejos, medos e sonhos...

Abraçar é se dar ao outro como um conforto, um alento, uma esperança. Abraços mudam a nossa vibração; são capazes de transformar uma vida toda de tristezas e abandonos.

18.11.08

E se Obama fosse africano?



Mia Couto escreveu...


Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política...
(...)

5.11.08

God bless Black America


Obama é Presidente.
Disse ele ontem:
"Esta eleição contou com muitas histórias que se irão contar durante várias gerações. Mas aquela que eu hoje trago comigo é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões que aguardaram vez para que a sua voz fosse ouvida nesta eleição, à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura; numa altura em que não havia carros nas estradas, nem aviões no céu; em que alguém como ela não podia votar por duas razões - porque ela era mulher e por causa da cor da sua pele.
E hoje, penso em tudo aquilo que ela viu ao longo do seu século de idade na América - as dores de cabeça e a esperança; a luta e o progresso; os tempos em que nos foi dito que não podíamos, e as pessoas que empurraram o credo adiante: "yes we can".
Quando havia desespero [...] e depressão em todo o país, ela viu uma nação conquistada pelo medo, com um New Deal, novos trabalhos, uma nova sensação de objectivo comum. 'Yes we can'".
Quando as bombas caíam no porto [Pearl Harbour] e a tirania ameaçou o mundo, ela era testemunha de uma geração que emergia à grandeza e de uma democracia era salva. 'Yes we can'".
Ela esteve lá para os autocarros em Montgomery, para as mangueiras em Birmingham, a ponte em Selma, e para um pregador de Atlanta que disse às pessoas que elas conseguiriam triunfar. 'Yes we can'".
Um homem tocou na lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação, 'Yes we can'".
E este ano, nesta eleição, ela tocou com o dedo no ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos de América, ao longo das melhores horas e das horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar. 'Yes we can'".
América, fizémos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há tanta coisa a fazer. Por isso, esta noite, vamos perguntar a nós próprios - se as nossas crianças viveram para ver o próximo século; se as minhas filhas tiverem a sorte de viverem tanto como a Ann Nixon Cooper, que mudança é que vão ver? Que progresso teremos nós feito?".
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa pergunta. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo".

4.11.08

A GALA ...........Alguns momentos



Lisboa Não Sejas Francesa

2.11.08



Sandra Nogueira, Emília Pinto, Inês Sousa

1.11.08



Emília Pinto, Ricardo Soler, Helena Vieira, Paulo Cardodo


Emília Pinto, Alexandra Lencastre


o público


Carlos Pinto Coelho, Emília Pinto, Paulo de Carvalho

Magos Contos


A pedido dos autores (eu sou um deles), informam-se os interessados que a primeira apresentação do livro A FAZER DE CONTOS terá lugar na cidade de Coimbra no próximo dia 12 de Novembro, pelas 18H00, na sede da Coimbra Editora (ao Arco d'Almedina). A apresentação estará a cargo do escritor, poeta e jurista António Arnaut

29.10.08







Cada um que passa na nossa vida, passa sozinho…
Porque cada pessoa é única para nós,
E nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa na nossa vida passa sozinho,
Mas não vai só…
Leva um pouco de nós mesmos
E deixa-nos um pouco de si mesmos.
Há os que levam muito,
Mas não há os que não deixam nada.
Esta é a mais bela realidade da Vida…
A prova tremenda de que cada um é importante
E que ninguém se aproxima por acaso…

(Antoine de Saint Exupéry)

24.10.08

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
Excelência ou Felicidade?







'Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os> > exemplos que vejo em volta> > > não aconselham temeridades. Hordas de amigos> > constituem as respectivas> > > proles e, apesar da benesse, não levam vidas> > descansadas. Pelo> > > contrário: estão invariavelmente mergulhados numa> > angústia e numa> > > ansiedade de contornos particularmente patológicos.> > Percebo porquê. Há> > > cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da> > posição social e da> > > fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não> > numa família mas numa> > > pista de atletismo, com as barreiras da praxe:> > jardim-escola aos três,> > > natação aos quatro, lições de piano aos cinco,> > escola aos seis, e um> > > exército de professores, explicadores, educadores e> > psicólogos, como se> > > a criança fosse um potro de competição.> > >> > > Eis a ideologia criminosa que se instalou> > definitivamente nas sociedades> > > modernas: a vida não é para ser vivida - mas> > construída com sucessos> > > pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em> > progressão geométrica> > > para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa> > de sonho, o> > > maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de> > sonho, os> > > restaurantes de sonho.> > >> > > Não admira que, até 2020, um terço da população> > mundial esteja a mamar> > > forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do> > burro: quanto mais> > > temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais> > desesperamos. A> > > meritocracia gera uma insatisfação insaciável que> > acabará por arrasar o> > > mais leve traço de humanidade. O que não deixa de> > ser uma lástima.> > >> > > Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo> > Montaigne,> > > saberiam que o fim último da vida não é a> > excelência, mas sim a> > > felicidade!"




PEREIRA COUTINHO, lido algures...
(as setas são propositadas - demontram que o caminho é sempre para a frente, rumo ao sucesso, a qualquer preço...)
Publicada por César Paulo Salema em 0:18

23.10.08

9.11


É sabido que no dia 11 de Setembro de 2001 o mundo parou.
E mudou para sempre.
Assistimos a uma nação (que sempre transpareceu arrogância) muito – demasiado - fragilizada.
Neste dia ocorreram ataques aos EUA, que resultaram em milhares de mortos e feridos.
Quatro aviões foram sequestrados por grupos islâmicos, ligados à Al-Qaeda. E o mundo gelou…
O mais chocante ocorreu no centro da “big apple” - dois aviões colidiram com as duas torres do Word Trade Center, em Manhattan, New York.
O terrífico saldo do ataque foi de aproximadamente 3.000 mortos.
Eram 8h46 locais – aqui pouco depois do almoço, quando vi na televisão algo que nunca mais poderei esquecer.
Duas torres adamastóricas atingidas no coração e a colapsarem, sem dó nem piedade.
Todos sabemos que as caças às bruxas reiniciaram-se nesse momento. Os nossos amigos são os da nossa cor, os que não o são, são fatalmente nossos inimigos.
Foi intensificada a segurança nos Estados Unidos e em outros países. Nunca mais ficamos descansados a olhar para o ar…
Alguns passageiros e tripulantes puderam fazer chamadas telefónicas dos voos condenados.
O horror foi vivido e revivido por nós, vimos corpos que caíam como tordos do alto das janelas das torres numa última tentativa de não morrerem assados.
E algo em nós mudou.
Olhei para o meu lado.
E vi gente que não conhecia.
Gente que pode ter uma aparência feliz e sossegada mas que pode esconder um vil terrorista.
E tive medo do que senti.
Por julgar inocentes.
Por ter medo dos que me rodeiam.
Por não mais conseguir sair à rua em segurança e não mais conseguir simplesmente acreditar que as crianças são crianças, que os risos são risos e que nos podemos entender, apesar da diferente cor das nossas peles ou da diferente fé dos nossos credos.
Os ataques também tiveram importantes efeitos na política mundial.
Muitos países introduziram legislações duras anti-terrorismo - nos Estados Unidos foi o USA PATRIOT Act - e também levaram adiante acções para cortarem as finanças de terroristas (inclusive através do congelamento de contas bancárias suspeitas de serem usadas pelos eles).
As agências da lei e de inteligência estabeleceram cooperação para prenderem suspeitos de terrorismo e destruírem células supostamente terroristas ao redor do mundo. Esse foi um processo altamente controverso, já que restrições anteriores impostas pelas autoridades governamentais foram levantadas e certos direitos civis foram derrubados.
Isso foi levantado em Setembro de 2004, quando Yusuf Islam, um activista muçulmano britânico conhecido pelo seu trabalho pela paz e pela caridade, anteriormente conhecido como Cat Stevens, foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Isso levou o secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw a reclamar com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, que ordenou uma revisão na restrição colocada contra pessoas para entrarem nos EUA.
Seis meses depois do ataque 1,5 milhões de toneladas de entulho foi removido do local do WTC e o trabalho continuou abaixo do solo, apesar das preocupações de que as fundações pudessem vir abaixo.
Quem veio abaixo fomos nós, um pouco por todo o lado.
Para nunca mais voltarmos a ser o que éramos…

20.10.08

18.10.08


prematura

cansam os dias, quando o tempo é teimosamente indefinido. a tarde mistura-se trôpega à manhã anunciadora e a noite aproveita para se apresentar prematura.
Publicada por maioazul em Sábado, Outubro 18, 2008

16.10.08



Foi bonita a festa pá.! mas este foi o momento mais emocionante. Pelas palabras do premiado, pela delicadeza e pelo talento. Parabéns P.

O odor das magnólias


Ao entardecer cessou o vento arenoso do deserto e o velho Mediterrâneo uniu o seu cheiro salobro ao aroma subtil das magnólias..."


Assim reza o início do 1º conto do novo livro-poema de Luís Sepúlveda, A Lâmpada de Aladino

12.10.08

Foi bonita a festa, pá!

Parabéns Mila.
Parabéns Radio Clube.
Foi bonita a festa...

7.10.08

O preto fica-lhe bem...


A dias da Gala, um mimo à M., em recordação da diva que nos deixou há 9 anos, rumo ao Sul...

http://www.youtube.com/watch?v=ebJJTFf9rNI

4.10.08



Na Aroeira.............fora de tempo

1.10.08




Há dias que não passam no quotidiano de cada um de nós. Há dias que ficam. Sábado 27 de Setembro ficou com o Pedro o maestro das palavras certas, duras e doces.O homem grande chorou ao dizer quanto amava a Manela. Frágil de aparência mais parece uma sinfonia como a das ondas que se batem contra as rochas.
estive lá testemunhando o amor deles, numa tarde única e inesquecível.
Obrigada por me terem permitido fazer parte desse fabuloso grupo de amigos. Afinal não é difícil, encontrar pessoas.....assim, pessoas.

Nada como o tempo


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!


28.9.08

The day before you came



Mamma Mia - que nostalgia esta que vivo nestes momentos!
Domingo, 28 de Setembro de 2008
In Memoriam (Paul NEWMAN)




Hoje não há fitas na matiné.
O écran está menos azul.
Está vazio e calado.
De tristeza.
De negro vestido mais do que é costume.
O último dos grandes desapareceu.
Para sempre...
As minhas homenagens e a uma época de ouro do Cinema.
Publicada por César Paulo Salema em 18:16

Cais (carta)


Espero-te no meu cais, vestido a rigor,
de verde mar incendiado,
de anil cor do fogo que aquela água apaga.
Imagino que tu vens vestida de névoa cambraia
Sem rosto, sem mosto,
apenas com o sabor a mel selvagem
que a abelha mais obreira do teu recanto
foi capaz de retirar da mais doce aragem,
feito do ar puro que de ti brota,
que em mim repousa...
Não sei se vens por bem,
Se vens por mal entendidos.
Só me resta esperar
o imponderável,
o cheiro a livros e a casa de bonecas,
a sombra da alfazema e da madressilva,
a barca que me há-de fazer chegar notícias de ti.
Estou aqui sentado na madeira do cais.
Só para que conste, não saio daqui sem tu chegares,
mesmo que nunca chegues a chegar...

23.9.08


Olho e descubro que é preciso olhar mais,
que é necessário ver,
que é imperioso sentir
e que é urgente partilhar tanta perfeição.

21.9.08




Conhece os premiados em www.radioclubedeleiria.com
E aparece

19.9.08

O que nós fomos...



Memories
Light the corners of my mind
Misty watercolor memories
Of the way we were

Scattered pictures
Of the smiles we left behind
Smiles we gave to one another
For the way we were

Can it be that it was all so simple then
Or has time rewritten every line
If we had the chance to do it all again
Tell me - Would we? Could we?

Memories
May be beautiful and yet
What's too painful to remember
We simply choose to forget

So it's the laughter
We will remember
Whenever we remember
The way we were

Laura e Paulo

P. Acreditas em amores impossíveis?
L. Creio no já, e no agora, nada mais, nada menos.
Creio no instante de rosas que me dás, no sem fôlego em que me trituro todos os dias em que navego por tuas águas felizes.
P. Mas será para sempre?
L. Mas o que é o sempre, meu amor presente?
Não será a vida feita de pequenas horas que juntas resultam num sempre efémero, numa eternidade prometida mas nem sempre convencida...
P. Quero amar-te para sempre, Laura.Mas sinto que me falta o rastilho para essa eternidade, para esse desejo que, temo, se esvaia e se esfume por entre as neblinas da normalidade balofa em que nos envolvemos.Nâo te afastes de mim, nunca...
L. O nunca é uma ilusão, Paulo, acredita. Não vivas angustiado pela incerteza da futura caminhada destes dois amantes que se querem agora e neste momento, que se entregam mutuamente uvas e bagos de milho, que penteiam solidões acompanhadas, que cantam o cântico mais dolente do mundo, que tocam a guitarra mais cigana da esquina, que se querem pertencer um ao outro, sem aviso, sem prazo de validade.
Se o carinho não der para o sempre, que me baste esta hora em que me eternizo em ti, Paulo.
P. Mas não me deixes.
L. Não me deixes tu, Paulo.
P. Nunca te deixarei.
P. Não prometas aquilo que não podes prever ou controlar.
Quem te diz que te não eternizarás noutro rosto, noutro corpo, noutras águas?
P. Controlo as minhas emoções. Sei o que quero.
L. E o teu corpo e coração, outro nome para a mais indecente de todas as obsessões, saberão?!
P. Eles são parte de mim. Como não o saberão?
L. Escuta-te, meu amor de hoje. O teu amanhã será aquilo que a vida te fizer escolher, será a estrela polar que mais próxima estiver de ti, será muito daquilo que hoje recusas reconhecer. Mas não te angusties em demasia. Nâo vale a pena, crê em mim.
P. Obrigado por me ouvires.
E grato te fico, metade de mim, por soletrares a mesma língua que hoje cultivo, que hoje quero aprender.
Ser-te-ei fiel.
L. Mesmo que me digas que já não me amas...

17.9.08

"Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura..."
Fernando Pessoa

Vivemos todos, no fundo, a mesma história…

Busco-te


A vez dos toques das mãos e dos corações feridos,
as chances que se dão aos que tombam, aos que falham, aos que sangram,
as danças de corpos inquietos em busca de redenção...
Do filme "Lantana" - a voz de Célia Cruz.
Para sempre...

16.9.08

Zeca...........e os outros

Pontes, supremas pontes



Há sempre aquelas pontes invernosas que separam os nossos passos, os nossos ais.
E existem sempre aqueles laços vermelhos, amarelados de espanto, que querem romper a distância que se cria entre nós, no plaino ensolarado dos convés da vida...
Quero-vos meus, quero-me vosso...

Brincar de viver...

Á E., porque sim...

Palavras


Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!

Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto,
como Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha
Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.

Anos depois, na estrada,
Encontro
Essas palavras secas e sem rédeas,

Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

Sílvia Plath

(tradução de Ana Cristina César)

15.9.08

Fim de tarde na Aroeira

Não te desvies da linha......

À minha Rádio


Hoje quero louvar a Rádio (porque para mim tem rosto de mulher) onde, ainda piratinha, na minha Leiria natal, fui tão feliz, tripulando durante quase seis anos, em horário nocturno, uma “Nau da Bonança”.
De facto, apesar de agora ser vizinho do Mondego, as minhas águas desaguaram ou nasceram em LEIRIA.
Ò Leiria, Lis-óptima, dominando as ameias das gentes, o histérico deambular das raivas surdas dos entroncamentos, das cores semafóricas em ruas brancas de breu, eis que nos vestes de bairro pobre, de gente rica, sem cheta e só com aquele brilhozinho nas pupilas da escassez!
Um garoto solta um grito absurdo entre os ardinas das desgraças dos outros (que a dele não vende!) e uma varina nazarena sopra o vento do pregão e vende os cachuchos amarelentos de cada dia, contando os tostões que não chega a ver.
Há bonecos de corda pendurados no olhar dos leirienses, ávidos de um toque que seja de um seu semelhante, há lantejoulas estampadas nos anseios dos que querem mais do que sentem, há barcas de madrugada no sorriso primeiro da prostituta da esquina que não se rende às penas mas que se põe a render, há tanto de tanto e tanto de nada...
Em Leiria, pátria desta Rádio, navegam soluços estridentes de uma outra forma de viver os segundos de saudade que se sentem dos serões de província de outrora e oscilam as esperanças destas pedras rolantes que não deixam de pintar o soalho do Terreiro, à espera de melhor sorte.
Não há pássaros nos beirais nem chuva que caia sobre o plaino abandonado porque anonimamente pisado; ouvem-se as buzinas agitadas dos táxis que transportam os filhos da Terra que se consomem em catadupa, encontram-se os contribuintes que pagam, os aduladores que fazem de conta e benzem as supremas atitudes do “Big Brother”, os Hércules e das Desdémonas inventando confusões babilónicas, o violinista cego que toca as notas da desdita, os adúlteros sem aviso prévio, as crianças dos outros que não têm direito a colher baladas felizes...
Subitamente, sentimos necessidade de olhar para a outra margem, para aquela banda de lá, desconhecida.
Faz-nos falta sentir o ar salgado da maré, ver homens e mulheres ao leme de mil e uma terras, manipuladores das graças e desgraças de um país real à nossa espera, gente de boné de pala, de camisola de malha rota, de cachecol tardio, casos com nomes não apagados dos nossos papéis!
Queremos tocar as gentes, COMUNICAR…
Vamos segurar as rédeas dos cabos do convés da vida experimentada e não simulada.
Os lábios da tarde abrem-se à nossa passagem e sentimo-nos perto dos outros que, por vezes, nem nos vêem…
Trabalho em fato de operário, a bordo de uma nau, no dorso de um navio, na asa de uma aeronave, na assinatura de um acórdão mal dormido, na onda de uma rádio nocturna, nossa única companhia, o que interessa é este sabor a vida vivida, a suor frio e a mãos quentes, a sangue correndo nas veias espásmicas da autenticidade, feito hino ao labor de rostos que marcham vivendo, prevaricando, conflituando, comendo as cinzas e as fagulhas do último Inverno, com que alimentam as bocas mais ou menos esfaimadas dos putos de cara rosada e de maça de adão a despontar numa virilidade imprecisa.
Se é a experiência que nos ensina o alfabeto da existência, uma palavra será dita por este rio a todos aqueles que o violam, sem apelo nem agravo. Se NAVEGAR é preciso, um toque de emoção vinda das profundezas das águas é sempre um ingrediente indispensável ao imprevisto, à loucura saudável e ao inconformismo, à vivência da serena mas tão complexa humanidade de todos nós…
E nesta viagem pelo rio abaixo rumo aos outros, às ondas de uma cantiga ouvida na CENTRAL FM (outrora Rádio Clube de Leiria), iremos ver o sussurro da VIDA gritada às postas e a verdade do que se não se chega a sentir e a dizer, naquele escrever de água que logo se apaga mas que subsiste na gramática dos nossos sentidos, das nossas convicções, dos nossos julgamentos, das nossas frustrações, das nossas solidões, das nossas euforias, das nossas paranóias, dos nossos desvarios…
´”Você vive aqui? No meu prédio? Há três anos? Meu Deus, nunca tinha dado por si!”

14.9.08

Vivemos todos a mesma história


Queria, neste fim de noite, partilhar convosco a letra de uma canção do grupo FEIST e que encerra o superlativo filme "Paris je t'aime", realizado por 18 nomes, tantos quantos os bairros escolhidos de Paris.
A versão que vos trago é poliglota (português, francês e inglês).
A mensagem é una - estamos todos na mesma dança, vivemos todos a mesma história, mudem as línguas, os costumes, os deuses, os fusos horários, as cores ou as intolerâncias...
Procurem o filme e cheirem-no - sabe a magnólia e a alfazema!

Life’s a dance
We all have to do
What does the music require
People are moving together
Close as the flames in a fire
Feel the beat
Music and rhyme
While there is time
We all go round and round
Partners are lost and found
Looking for one more chance
All I know is
We’re all in the dance!
Night and day
The music plays on
We all part of the show
While we can hold on to someone
We know life won’t let us go
Quel este donc ce lien entre nous
Cette chose indéfinissable?
Oú vont ces destins qui se nouent
Pour nous rendre inséparables?
O que é então que nos separa
Senão aquilo que por acaso nos reúne?
Para quê tantas idas e vindas
Neste caminho infinito?
On est toujours dans la même histoire
We’re all in the dance
Vivemos todos, no fundo, a mesma história…

Entrega dos Troféus - pedrada No Charco



E quando eu calar a minha voz, por favor entendam

13.9.08






A NÃO PERDER, MESMO

O Melhor espectáculo da música e da cultura

que se faz em Portugal

www.galaradioclubedeleiria.com

Pedes-me um texto de amor à pátria portuguesa e eu ando em processo de divórcio litigioso.
De facto, feitas as contas, pouco mais me deu que memórias, história, sonho, aventura e um nome lusitano. Antigo, verdadeiro, montanhês de primeira geração. E como tal, inconformado e rebelde no momento em que me pedes tal esforço.
Gerida de mão em mão, não me revejo nem nos valores, nem nos organismos, nem nos colectivos onde está a desaguar. Sei que é um corpo que eu amei muito e custa-me vê-la ser possuída por cantores de cozinha, cabra, carreira, amor pimba e outras selvajarias culturais. Custa-me e magoa-me que ignore o grande amor de uma vida que dei por ela. Culto, desinteressado e sincero.
Garça! De vez em quando é assim. Tem crises de identidade. Houve uma altura, até, em que andou amancebada sessenta anos com os espanhóis. De momento tem ligações distraidas com a Cultura, cuida mal do Património, esquece-se dos pobres, gasta milhões fora de sitio, mantém os funcionários publicos em dieta rigorosa, adula empresários e esquece os artistas. Talvez por isso, falando noutro dia com Virgílio Ferreira, Jorge de Sena, Zeca Afonso, Camões, Sá de Miranda, Miguel Torga, Eça, Carlos Paredes e outros companheiros de uma tertúlia que eu frequento, onde apenas entra gente de um só parecer de um só rosto e duma só fé, posso adiantar que nenhum deles andava satisfeito com o comportamento último desta ingrata.
Para onde vai, acho que, de momento, nem ela sabe. Ultimamente, de resto, não Ota nem desota.
Luto há quase 40 anos pela cultura. Todos os dias. E, afinal, até já foi ou vai ser despenalizado o não saber escrever. Teremos portanto, licenciados e doutores; professores, médicos - até engenheiros!...- literal e literariamente analfabetos. Custa muito.
Sim, eu sei. As separações são sempre difíceis. Devia acalmar-me. Conseguir separar o trigo do joio. Mas onde anda o trigo de tão esquecido e destruído? Como pode sobreviver a tanta tempestade? E porque se promove o joio como se fossem jóias? Porque não acusar que, de tantos heroísmos passados, tantas praças passadas a fio de espada, tais cometimentos hoje andem ao nível e estejam convertidos em helicópteros compradinhos já avariados? Nah. Eu quero Mem Ramires, Geraldo Geraldes, o sem Pavor; quero o Condestável, Vasco da Gama, Gago Coutinho, Humberto Delgado, Salgueiro Maia! Eu quero heroísmo. Já. In nomine patria. Eu exijo a minha dose actualizada de heroísmo.
Mando-te portanto, poemas escritos em tempo de melhores sentimentos; são recordações de quando éramos felizes. Tenho também fotografias dela, toda exposta, nua, gloriosa, tiradas em momentos de excesso e intimidade que mal ouso agora relembrar. 5 de Outubro 1910, de barrete frígio e busto amante; 25 Abril de 1974, de cravo ao peito, gritando liberdade. E outras. Guardo-as para mim. Por egoísmo e um resto imenso de amor com que a quero lembrar, apesar do exílio a que me forçou.
Fica portanto isso, a gastronomia e as mulheres. O mar e a montanha. O idioma, um pouco átono, mas bonito, versátil, elegante, cheio de perifrásticas doces e requebros de alma. E os músicos e poetas, lavradores de palavras e encanto.
Mas recuso-me a enviar-te cartas de amor a essa senhora. Sei que - na tua única faceta lésbica conhecida - és profunda amante dela. E respeito. Mas eu ando zangado, pronto. Mando-te um poema e inclui na revista. Fica original e cumpre a função. Acho que o Deuladeu é subtil e merecedor. Não sei. Escolhe. Eu nao quero mais saber.Demito-me.
Mas não me peças neste momento, cartas de amor a essa senhora voluvel, de porte desigual. Erudita e esbelta no mar e na montanha; corrupta e podre nos lobis e nepotismos varios; inteligente e grácil na poesia e no cante; pesada e bisonha na delação e na intriga. Carregada de ouro e facilidades para todos os que não merecem e eu, que lhe dei o melhor de mim, a ver o tempo passar. Ingrata.
Orgulho nacional? Neste momento?! Pode ser que me assalte e eu recaia um dia destes. As paixões eternas são assim. Mas de momento, estou em greve. Estamos zangados. Não escrevo!

Pedro Barroso