15.9.12

Pedro Barroso15 de Setembro de 2012 0:43

bom façamos a contabilidade de uma vida.
Desde hoje tenho um filho professor doutor; outro é pianista e compositor
São irmãos perto e longe, ambos excelentes no que fazem e no que são profissionalmente. E no entanto o futuro deste país continua apertado para eles e muito provavelmente - sim, tem razao sr Coelho...- faziam melhor em partir daqui zarpar, voar para longe. Também escrevi os livros, plantei as árvores necessárias, construi as casas, cumpri os amores e cultivei o conhecimento como religião de vida. Estou inteiro? Nunca. Mas o tempo da paz parece aproximar-se.
Minha mulher finalmente está ao meu lado sempre. Alguma coisa mudou no jardim da vida. O testemunho passa de mão em mão. As coisas são assim mesmo.
Meu amor, minha Manuel, ajuda me a aprender, devagar, a ser velho, continuando no entanto a ser útil.
E já agora, que esta gente aparvalhada e incompetente q nos governa desapareça rapido do horizonte e me deixem ver o mar. Eu prezo a Liberdade.
No outro dia sintetizei isso mesmo num atrapalhado entre portas na entrada de um Banco. Tiveram de me salvar - com tantas portas de vidro eu já não saia dali... E saiu-me da boca uma expressão de desabafo perante tanta segurança e tanta desconfiada autoridade. - Eu sou um homem de portas abertas! - ocorreu-me dizer.
Acho q nesse momento sintetizei muitas coisas.
Mandem esta gente embora. Sinto-me de portas fechadas. Para o sonho e para a vida. Gente q se levante e diga à Europa q somos um povo de mil anos; q estamos em toda a parte e q a nossa língua é falada em todos os Continentes. Gostava sinceramente de poder morrer português, livre e solidário. O resto são os filhos e o amor, a obra, a voz, a poesia, a musica, tanta coisa q vos deixo. vai-me saber bem abrir os braços ao tempo de amanhã, por tudo o que ainda houver escondido nas curvas do viver. Nao consigo já, por excesso de mim, andar uma rua e outra. Mas estou solidário com todo um povo que -sabemos todos - vai sair para a rua hoje mesmo, mais logo. Vamos gritar não. Eu quero ouvir. Eu quero ver.