7.10.09

Temporal


Gosto de sentir a natureza e fingir
que não lhe pertenço.
A mão gigante do vento vai sacudindo o carro
contra o mar
com grandes chapadas brancas.
Não é o mundo que tenho na cabeça
as gotas de água que embaciam o vidro
e o véu da chuva o da noiva submissa.
As palavras não querem ser irmãs das ondas
e o meu silêncio não é filho
desta tempestade.
Mas como é belo
que tudo viva na luta de viver.
A fúria da maré no espelho do meu rosto
como um poema de Pedro Homem de Mello.
O som mais natural dá-me a nitidez dos choros suicidas
e transporta no tempo
esse luxo dos homens que se chama
esperança.
No céu baila e divaga mais uma gaivota.
No chão perto do mar
ooutro baile circunda o coração.
Mas nunca saberei como dançar...



Armando Silva Carvalho

6.10.09

A Argentina está de luto. Morreu Mercedes Sosa

video

La Negra", como ela era conhecida carinhosamente por seu cabelo escuro, foi apontada como "a voz da maioria silenciosa", por sua defesa dos pobres e sua luta pela liberdade.

Jovens artistas como Shakira e Ricky Martin manifestaram suas condolências através da rede social Twitter.

"Mercedes foi a maior voz e tinha um coração enorme", disse a cantora colombiana em sua página. Já o ex-Menudo afirmou: "Sua voz, sua música e sua paixão pela defesa dos direitos humanos inspirou a muitos. Seu legado viverá para sempre".


O Brasil começou a despertar para a riqueza da voz de Mercedes Sosa em 1976, após um dueto da cantora argentina com Milton Nascimento. A faixa "Volver a los 17", da compositora chilena Violeta Parra - de quem Mercedes foi uma das principais intérpretes - virou um dos maiores destaques do hoje clássico álbum "Geraes". A partir daí, a barreira da língua não mais impediu que brasileiros se apaixonassem pelo marcante timbre de contralto de Mercedes Sosa e por seu repertório, entre canções folclóricas e de conteúdo político e social.


Os discos de Mercedes passaram a ser lançados regularmente no Brasil. A cantora gravou novos encontros com artistas da MPB como Fagner, Chico Buarque e, recentemente, Caetano Veloso - em outubro de 2008, aproveitando a visita de Mercedes ao Rio, para receber a Ordem do Mérito Cultural, em cerimônia realizada no Teatro Municipal.